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DROGAS X CORAÇÃO

As drogas já representam uma epidemia mundial e seu consumo aumenta a cada dia. A cocaína é extraída da folha do arbusto da coca (erythroxylon coca) e pode ser encontrada em duas formas: sal de hidrocloreto - que é a cocaína que é inalada intranasal ou via oral - e a segunda é sua forma livre que associada à amônia e ao bicarbonato de sódio, é ainda mais potente, consumida com o ato de fumar, conhecida como crack. Os tabagistas e os usuários de álcool são 10 vezes mais propensos a consumir cocaína.

A cocaína, por bloquear a retirada da norepinefrina (precursor do hormônio adrenalina) dos terminais nervosos, pode aumentar de forma intensa a frequência cardíaca e a pressão arterial, levando ao aumento brusco do consumo de oxigênio pelo miocárdio. Associado a isso, provoca vasodilatação inicial dos vasos do coração, seguido por intensa vasoconstrição, ou espasmo dos vasos, que leva, em última instância, a diminuição brusca do calibre dos vasos. Isso diminui ainda mais o suporte de oxigênio, sendo uma importante causa de infarto em jovens, muitas vezes fatal.

A cocaína é prontamente absorvida pela  mucosa do nariz, da boca e dos tratos geniturinário, gastrointestinal e respiratório.  Seus metabólitos aparecem  no sangue, urina, cabelo, suor, saliva e leite materno. Análise desses tecidos e fluídos podem ser utilizadas para detecção da droga.

O uso crônico da cocaína, por qualquer via de administração, está associado a maior risco de infecção, hepatite viral e aids. Sintomas cardiovasculares, particularmente dor torácica, são frequentes entre os  usuários de cocaína que procuram os serviços de emergência. Em tais pacientes, o infarto agudo do miocárdio, arritmias, a miocardite, dissecção e ruptura aórtica,  vasculite e aneurisma de artéria coronária devem ser sempre considerados. O uso da cocaína é responsável por cerca de um quarto dos ataques cardíacos não fatais em pessoas com idade inferior a 45 anos.

Em diferentes estudos, aproximadamente dois terços dos infartos ocorreram em até três horas após o consumo de cocaína, variando de um minuto à quatro dias e aproximadamente 25% ocorreram no prazo de 60 minutos.

A miocardite (inflamação do miocárdio) é um achado comum na necrópsia de usuários de cocaína. o mecanismo mais provável é a reação de hipersensibilidade levando à inflamação dos vasos sanguíneos (vasculite) e miocardite induzida pela efeito toxico da adrenalina. embora potencialmente fatal a  miocardite pode ser totalmente reversível, se for identificada no início do processo da doença.

A dilatação global do coração (miocardiopatia dilatada) também  tem sido documentada entre usuários de cocaína,  provavelmente resultado dos efeitos tóxicos diretos sobre o coração, que levam à destruição de miofibrilas, fibrose intersticial, dilatação do miocárdio e insuficiência cardíaca. O hiperefeito da adrenalina cocaína-induzido pode produzir necroses no coração e outras mudanças da estrutura do coração.

Pesquisa realizada na faculdade de medicina da USP revela que a cocaína e o crack atrofiam os componentes celulares da parede miocárdica, o que ocasiona uma diminuição tanto no peso quanto no tamanho do coração. Todos esses fatores favorecem a perda da capacidade funcional miocárdica e ocasionam as arritmias, causas frequentes de paradas cardíacas e morte súbita.

Dentre as alterações que têm sido associados com o consumo de cocaína estão a  taquicardia sinusal e bradicardia, bloqueios elétricos do coração, morte súbita por fibrilação ventricular (ou assistolia) e taquicardia ventricular.

O abuso de cocaína pode produzir uma variedade de outras complicações cardíacas, incluindo hipertrofia cardíaca patológica, a endocardite infecciosa entre os usuários por via intravenosa, isquemia dos vasos sanguíneos abdominais e aceleração da aterosclerose.

Outra droga, a metanfetamina, substancia   que contem na droga conhecida com Ecstasy, é rapidamente absorvida após a administração oral, pulmonar, nasal, intramuscular,  intravenosa, retal e vaginal. Embora a metanfetamina tenha uma meia-vida plasmática de 12 a 34 horas, a duração do seu efeito comumente persiste por mais de 24 horas. Os efeitos cardiovasculares são a taquicardia sinusal e hipertensão arterial, comuns em  pacientes intoxicados, com mecanismo fisiopatológico semelhante ao da cocaína. A isquemia miocárdica com infarto do miocárdio e miocardiopatia foram identificadas em usuários agudos e crônicos.

Pacientes que se apresentaram na emergência com queixa de dor no peito após uso de metanfetamina, 25% apresentavam evidência de infarto do miocárdio. O colapso cardiovascular nestes pacientes não é incomum e ocorre devido a combinação de exaustão de neurotransmissor, ácidos e metabólica e desidratação. Até mesmo os  pacientes colocados em restrições físicas podem sofrer parada cardíaca súbita devido a uma combinação de desidratação, esgotamento de neurotransmissores adrenérgicos e acidose metabólica.

Finalmente, vamos falar um pouco da maconha que causa, principalmente, alterações cerebrais, porém, pode representar um risco cardiovascular em idosos com doença aterosclerótica coronária e doença vascular cerebral. Isso por causa do aumento das catecolaminas, dos níveis de carboxihemoglobina, aumento do trabalho cardíaco, e eventuais episódios de hipotensão postural intensa.

Um estudo publicado no jornal científico Psychiatry mostrou que a substância ativa da maconha, o THC, faz com que o organismo produza de forma exagerada a proteína apoc-111, que está ligada a altos índices de triglicérides no sangue. Este tipo de gordura circulante, assim como o colesterol, aumenta a chance de provocar acúmulos de placas gordurosas nos vasos, podendo provocar infarto. a maconha, canabis sativa, aumenta ainda em até 50% a freqüência cardíaca e causa ligeira diminuição da pressão arterial, podendo provocar um maior consumo de oxigênio pelo músculo cardíaco. Devemos lembrar que os usuários de droga consomem muitas vezes uma associação de substâncias lícitas e ilícitas pontencializando os seus efeitos maléficos.

 

Dra. Maria Alice Celani

Medicor - Guaxupé

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