Conteúdo para toda família

Rosângela Felippe, entrevista

JEFERSON WADY SABBAG

ADVOGADO QUE SE ORGULHA DE SER

GUAXUPEANO E NÃO DÁ CHANCE À TRISTEZA

 

Um dos guaxupeanos que mais caracteriza o perfil da nossa terra, Dr. Jeferson Wady Sabbag, é visto pelos amigos como símbolo fiel do que nos representa Guaxupé: a boa receptividade.

Formado em Direito pela Fundação Sanjoanense de Ensino, hoje UNIFEOB (São João da Boa Vista – SP), tornou-se um profissional conceituado na área exercendo seu trabalho na capital paulista.

Nascido em uma tradicional família guaxupeana dedicada ao ramo do comércio, Dr. Jeferson Sabbag revela nesta entrevista aspectos marcantes de sua vida e importantes aspectos históricos traçados na cidade por seu avô, o libanês Jacob Miguel Sabbag.

Arraigado fortemente à família, ele também descreve o período bom e a fase ruim em que o seu pai, Sr. Wady Sabbag, ex-prefeito e Guaxupé, em sociedade com os irmãos, deram suporte às empresas que implantaram e que tanto movimentou a economia da cidade gerando muitos empregos.

Filho de Wady Sabbag e Genoveva Sabbag, Dr. Jeferson teve um irmão já falecido, cujo nome era Jacob, mais conhecido na cidade por Jacozinho. Ele tem uma única filha, Fernanda Bomfim Sabbag, profissional especializada na área de nutrição.

Ao ser convidado para esta entrevista, como era de se esperar, Dr. Jeferson se emocionou, pois iria falar do que mais gosta de ser: um guaxupeano apaixonado pela terra natal.

 

COMO FOI NASCER, CRESCER E VIVER EM GUAXUPÉ?  Nascer, crescer e viver em Guaxupé foi para mim uma grande alegria. Pela ordem, digo que tenho orgulho em dizer que sou natural de Guaxupé, pois foi onde meus pais escolheram para viver e para o meu nascimento. Crescer nesta terra foi muito prazeroso já que tive uma infância muito rica, seja por conta das amizades com a garotada, e, fundamentalmente, porque naquela época a liberdade de brincar nas ruas era a principal diversão. Por fim, viver em Guaxupé foi ao mesmo tempo alegre e tanto quanto triste. Alegre por viver uma adolescência onde o romantismo, a confiança nas pessoas e no mundo eram diferenciais que contribuíam para a minha felicidade. Triste, em contrapartida, pelo fato de perder meu irmão e minha mãe em um mesmo ano. Mas a descoberta de outras emoções e sentimentos próprios da idade abrandaram um pouco essa minha tristeza.

 

DEPOIS DE TUDO O QUE VOCÊ VIVEU DESDE QUE DEIXOU A CIDADE, TONA-SE POSSÍVEL AFIRMAR QUE VOCÊ ERA FELIZ E NÃO SABIA? Não estou seguro em dizer que eu era feliz e não sabia, porque, para mim, cada fase da vida, como cada idade, é diferente. Mas no cômputo geral, penso que fui feliz, até porque e principalmente porque tinha meu pai ao meu lado.

 

QUAL É A SAUDADE MAIS PROFUNDA QUE VOCÊ GUARDA DO SEU PASSADO EM GUAXUPÉ? Saudade, como dizem os poetas, é uma emoção que sentimos mas não conseguimos exprimir com palavras. Contudo, penso que guardo recordação daquela vida pacata, onde as pessoas se conheciam na essência, olhavam-se nos olhos, sem maldade, sem competição e com muita humanidade, principalmente porque tenho o sentimento que hoje a vida não é mais assim.

 

O QUE MUDOU NA CIDADE COMPARANDO-A COM A ÉPOCA EM QUE VOCÊ NELA VIVEU? As coisas mudam. Aliás, como alguém um dia disse: “a única coisa certa na vida é a mudança”.  A Cidade mudou como consequência do passar do tempo. A vida mudou. A exigência para a sobrevivência hoje é fator de muito desgaste para todos nós. A tecnologia dos novos tempos alterou o modo de vida da maioria, de modo a subtrair a convivência então mais frequente entre as pessoas naquela época em que todos saíam às ruas para conversar, passear, namorar, etc.

 

VOCÊ FOI GERADO EM UMA DAS FAMÍLIAS GUAXUPEANAS MAIS CONHECIDAS NA CIDADE E REGIÃO. COMO VOCÊ ANALISA A SORTE POR TER NASCIDO EM UM BERÇO CERCADO DE AFETO E BONS ENSINAMENTOS? Considero que nascer em uma família bem estruturada, com condições financeiras mais favoráveis e que seus membros tenham tido boa convivência com a sociedade, inegavelmente pode ser considerado um fato de muita sorte, embora, acredite no pensamento de Shakespeare que disse que há mais mistérios entre o céu e a terra do que podemos imaginar.

 

EM SÃO PAULO, CIDADE EM QUE HÁ ANOS RESIDE, VOCÊ CONSTRUIU UMA VIDA, CONSTITUIU FAMÍLIA E CRIOU ELOS DE AMIZADE. A CAPITAL PAULISTA LHE ABRIU TODAS AS PORTAS QUE ALMEJOU? Digo que sou eternamente grato à cidade de São Paulo. Ao me mudar para esta capital eu não tinha noção do que poderia acontecer com a minha vida pessoal ou profissional, embora tenha sempre acreditado que conseguiria, ao menos, melhorar como ser humano. A partir daí, a vida profissional seria uma consequência. Para minha alegria e felicidade, eu penso que consegui o primeiro objetivo. Quanto ao segundo – profissional, creio que consegui muito mais do que efetivamente imaginava ou merecia. Sou muito grato a São Paulo e, sobretudo, a Deus.

 

O DIREITO FOI A SUA ESCOLHA PROFISSIONAL E VOCÊ TEM SIDO RECONHECIDO PELA DEDICAÇÃO AO TRABALHO E PELA COMPETÊNCIA. TORNAR-SE ADVOGADO ERA UM SONHO DE MENINO? A minha escolha profissional foi casual, uma vez que na época em que me decidi a fazer faculdade eu vivia muito bem em Guaxupé e não tinha pretensão de viver em outro local. Assim, como havia a possibilidade de estudar direito próximo de casa, optei por estudar em São João da Boa Vista, embora pudesse estudar em outra cidade, se assim desejasse. E hoje, creio que a escolha não foi das piores.

 

COMO FOI QUE A FAMÍLIA SABBAG SURGIU EM GUAXUPÉ? Meu avô, Jacob Miguel Sabbag, veio do Líbano e, até onde sei, conheceu a esposa por foto quando já estava no Brasil. O casamento foi acertado por correspondência e ela deixou o Líbano para conhecer e viver com o marido com quem gerou os filhos: Lutfalla, Badia,Wady,Chafic, Nelson, Walter, Nadim, Chaffia, e Nadima.

Em 1950, ele veio a falecer deixando aos filhos a empresa ‘Jacob Miguel e Cia.’ que, na época, havia se tornado uma potência na região como atacadista de secos e molhados. Havia muitos representantes da mesma por toda Minas Gerais, o que gerava muitos empregos. Interessante lembrar que esses funcionários viajavam pelo estado de Jeep, veículo com tração nas quatro rodas, ideal para suportar e trafegar pelas precárias estradas de terra na época.

 

QUAIS FORAM OS ESTABELECIMENTOS COMERCIAIS MONTADOS PELA FAMÍLIA? Os negócios da família tiveram início com pequeno comércio de armarinhos comandados pelo meu avô Jacob Miguel Sabbag, tendo progredido para um modesto estabelecimento de secos e molhados e tecidos, para depois se tornar um dos maiores atacadistas da região. Posteriormente, após a sua morte, seus filhos prosseguiram com os mesmos negócios, ampliados com a Concessionária Willys, revenda de gás e loja de móveis.

 

DENTRE AS EMPRESAS CITADAS, QUAL FOI A MAIS MARCANTE NA HISTÓRIA DO GRUPO ‘JACOB MIGUEL E CIA’? Penso que a mais importante foi o atacado de secos e molhados, onde tudo começou. Entretanto, a que mais repercutiu acredito que foi a Concessionária Willys, que, posteriormente, foi substituída pela Ford.

 

PORÉM, NO FINAL DOS ANOS 60,TEVE INÍCIO UM PERÍODO DE RECESSÃO NO PAÍS. COMO ISSO AFETOU O GRUPO EMPRESARIAL FORMADO PELOS IRMÃOS SABBAG? Começou a chamada ‘crise do petróleo’. Para fugir das dificuldades, a Ford, assim como outras montadoras, passou a obrigar que as concessionárias adquirissem uma ‘cota X’ de caminhões movidos à gasolina para que pudessem adquirir e revender veículos mais procurados; fato que gerou enorme dificuldade, pois não se conseguia vender caminhões movidos à gasolina sem prejuízos. O grupo sustentou a situação até o ano de 1974, quando se viu obrigado a pedir concordata.

Como tinham um bom nome no mercado, meu pai e meus tios foram aconselhados por um advogado de São Paulo a comprar mercadorias a prazo em até 120 dias, antes de pedirem a concordata. Depois, com o pedido de concordata deferido, poderiam pagar as dívidas em dois anos. Porém, a família recusou-se, uma vez que isso prejudicaria os fornecedores que receberiam sem correção monetária. O prejuízo deles seria, realmente, muito grande.

A decisão foi unânime entre os irmãos! Pediram concordata e venderam inúmeras propriedades para levantar dinheiro e pagar os amigos que lhes emprestaram suas economias para fomentar os negócios da ‘Jacob Miguel e Cia.’.

 

MESMO TENDO ASSISTIDO A ASCENÇÃO E A QUEDA DA ‘JACOB MIGUEL E CIA’, VOCÊ MANTEVE SEU ESPÍRITO IRREVERENTE E ALEGRE NA COMPANHIA DOS AMIGOS E FAMILIARES. COMO CONSEGUIU LEVAR A VIDA EM FRENTE COM BOM HUMOR APÓS O BAQUE FINANCEIRO SOFRIDO PELA FAMÍLIA? Acredito que não somos alegres ou tristes, simpáticos ou carrancudos tão somente por opção. Cada um tem a sua personalidade como indivíduo (individual) que somos. Mas penso que esse meu jeito de ser advém também da convivência com os meus pais (pessoas alegres e bem divertidas) e das famílias de meus pais, compostas por pessoas alegres, na maioria bem humoradas. Em suma, penso que sou abençoado por ter essa personalidade que me ajuda a encarar a vida com mais facilidade.

De fato, não sei viver de outra forma, senão com alegria e satisfação, pois como disse acima, não foi uma opção, é uma característica pessoal e personalíssima. Vivo assim sempre. Seja na convivência com minha única filha (a quem amo muito), seja na minha vida social ou profissional. Eu sou assim. E assim espero poder continuar a ser.

 

SENDO ASSIM, QUAL É A FILOSOFIA QUE VOCÊ ADOTA PARA SE FORTALECER E VENCER OS MOMENTOS MAIS DIFÍCEIS NA VIDA? Acho que a esperança é a chave mestra para a abertura de todas as portas na vida. A esperança vem do radical espera. Assim como, creio que a determinação, a coragem e a alegria são componentes essenciais para a superação dos problemas. Essa é a minha receita filosófica.

 

SEU PAI, WADY SABBAG, FICOU MARCADO NA HISTÓRIA, NÃO APENAS COMO EMPRESÁRIO, MAS TAMBÉM COMO UM DOS PREFEITOS MAIS ATUANTES DE GUAXUPÉ E UM DOS CORAÇÕES MAIS GENEROSOS QUE A CIDADE CONHECEU. FALE-NOS UM POUCO SOBRE ELE. Sim, meu pai está em minhas lembranças e na de muitos com quem conviveu como exemplo de um homem benevolente, caridoso e cheio de amor ao próximo. Sua vida foi marcada por intensa participação em obras e campanhas de caráter social. Ao lado de outros benfeitores, angariou fundos visando a aquisição de bens, provimentos e até mesmo um veículo para amparo dos necessitados abrigados no Asilo (Lar São Vicente de Paula).

Como prefeito eleito, em 1968, implantou o primeiro conjunto de casas populares em Guaxupé, no bairro da Colmeia. Também como administrador da cidade, foi ele o responsável pelo primeiro asfaltamento, na Rua Dr. Geremias Zerbini (Rua do Taboão) e, em seguida, na Avenida Dona Floriana. Ao lado de outras autoridades, empreendido junto ao Governo Estadual, não mediu esforços para que fosse asfaltada a rodovia que liga Guaxupé ao Estado de São Paulo, o que muito impulsionou o progresso de toda região.  Como pai, foi sempre amoroso e nunca me negou apoio e companheirismo.

 

COMO É QUE OS FILHOS E NETOS GERADOS PELO PATRIARCA JACOB MIGUEL SABBAG SEMPRE SE RELACIONARAM? A família, desde sempre, é muito unida. Apesar de algumas divergências de opiniões no passado, todos se relacionaram com muito amor e um procurando dar assistência ao outro do melhor modo possível.  Hoje, meus primos e eu mantemos esse espírito de união, amor e solidariedade.

 

CITE UMA PALAVRA QUE DEFINA EVELYN ZAIAT EM SUA VIDA. Definir a Evelyn Zaiat em só palavra é tarefa árdua, mesmo para quem teve ou tem a oportunidade de sentir emoções tão boas, ou extrair da sua convivência sensações de muita paz e harmonia. Receio não conseguir defini-la em uma só palavra. Porém, como não posso me furtar em responder a pergunta, vendo o amor que ela tem pelos animais, pela família, pelo namorado e pelos mais carentes, eu concluo que a única palavra que bem a define é: AMOR!

 

 

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