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Rosângela Fellipe, entrevista

JOSÉ ROBERTO CALICCHIO, O DESCOBRIDOR DE CAMPEÕES

O guaxupeano José Roberto Calicchio, quando menino e muito travesso, envolvia-se em disputas participando de corridas de carrinho de sebo em volta do quarteirão de sua casa, das animadas partidas de futebol com a vizinhança e de outras brincadeiras que o estimularam a se tornar um grande descobridor e treinador de campeões esportivos.

Com uma bola na mão e a paixão voltada para o esporte, Zé Calicchio, como sempre foi chamado pelos conterrâneos, desde muito jovem já se dedicava à boa formação dos estudantes de Guaxupé, tomando à frente de projetos esportivos para promover jogos estudantis.

Em 1972, deixou a terra natal para estudar Educação Física na cidade de Santos. Desde então, sua carreira no mundo dos esportes tomou um caminho promissor. O seu olho clínico e o vasto conhecimento técnico na área esportiva tornaram-no um profissional respeitado por grandes nomes do futebol brasileiro, entre eles: Pelé, Oscar, Careca, Falcão, Waldir Peres, Kaká, Dario Pereira, Pedro Rocha, Zico e outros.

A sua brilhante carreira tem propiciado orgulho à família e aos amigos, pois revela o seu grande espírito lutador e a imagem de um homem fiel aos seus construtivos ideais. Para ele, sempre há o que ser feito pelo bem do esporte e dos atletas deste país, tanto que, a sua empresa que presta consultoria para a área técnica de futebol, a JRCalicchio, tornou-se referência no painel esportivo internacional.

Gerado em uma das famílias mais tradicionais de Guaxupé, Zé Calicchio é filho dos saudosos André Calicchio e Dona Amélia Pellegrini Calicchio, mulher de extrema bondade.  Ele teve muitos irmãos: Wilson Calicchio, o primogênito da família (falecido), Wanda C. Calicchio, Walter Calicchio, Wilsonea Calicchio, Vicente Calicchio Neto, o popular Bizão (falecido) e Salvio Calicchio, mais conhecido como Salvinho. Casado com Angela Sayeg Calicchio, guaxupeana muito estimada na cidade, o casal tem três filhos: Gabriela Calicchio, Juliano Calicchio e Alexandre Calicchio. A vida os abençoou com duas netas: Julia Souza Calicchio e Estela Helena Eloi de Lima Calicchio.

 Um amigo sempre querido por mim, Zé Calicchio concedeu-me esta entrevista para a Revista Mídia com o coração aberto e com o seu velho e imortal jeito de ‘bom menino do interior’.

 

A sua relação com o São Paulo Futebol Clube é muito estreita e começou quando você se formou como professor de Educação Física. Desde então, como tem sido esse vínculo profissional?   Sim, eu iniciei minha carreira no Futebol em 1975, no São Paulo F.C., quando criamos a primeira Escola de Futebol com o nome do grande técnico Vicente Italo Feola. Eu vim para o São Paulo pela indicação do Dr. José Douglas Dalora (guaxupeano que, na época, era dirigente do São Paulo F.C.). Em 1976, fui para o Profissional como coordenador e auxiliar da preparação física, onde permaneci por 12 anos. Eu voltei em 1998, como coordenador da base do Clube e fiquei até o ano de 2000. Em 2002, retornei como coordenador das Escolas Licenciadas, saindo em 2007. E agora, estou desde 2016 novamente coordenando as Escolas Licenciadas.

Você se considera, além de um treinador, um descobridor de talentos esportivos? Quando estamos treinando uma equipe sempre descobrimos talentos. O importante é saber lapidar este atleta, dando uma formação cultural e esportiva.

 

Descreva a nova linguagem do treinador de esporte. Muitas regras mudaram nos últimos tempos? Houve uma evolução na parte física e área da Medicina do Esporte. Para evoluir, o esporte tem que mudar as regras. Como exemplo, podemos falar do Futsal, que hoje é um esporte dinâmico. O Futebol mudou uma regra, o goleiro não poder pegar com as mãos a bola atrasada pela sua equipe e, com isso, os goleiros tiveram uma evolução muito grande. O restante continua com as mesmas regras, retardando a evolução na área técnica.

 

Hoje em dia, ouve-se falar muito em Psicologia Aplicada no setor esportivo. Você defende a tese de que o psicólogo pode contribuir com o treinador para o desenvolvimento das equipes esportivas? Primeiramente, temos que ter profissionais trabalhando nos Esportes com formação acadêmica, devendo-se incluir aos cursos, aulas de Psicologia no Esporte. Quem lida diariamente com os atletas, são estes profissionais que passam a conhecer e a vivenciar as atitudes de cada um. O psicólogo pode ajudar sim, mais tem que ter uma convivência maior com os atletas.

 

A presença dos professores de Educação Física nas escolas tem sido mais valorizada em nosso país? Com relação as nossas escolas Municipais e Estaduais, eu acho que não. Antigamente, os alunos eram obrigados a fazer aulas de Educação Física. Hoje, não há mais essa exigência.

 

Além de ensinar uma boa disciplina, o treinador de equipes esportivas tem como dever estimular o espírito competitivo de seus atletas. Em sua opinião, qual é a finalidade da competitividade na formação do caráter humano? Trata-se de um fator positivo ou não? A competitividade faz com que o atleta aprenda a vencer. Porém, ao ser derrotado, precisa voltar a competir e não desistir. Na vida, estamos sempre competindo. Com este aprendizado no esporte, o atleta enfrentará melhor os desafios da vida.

 

Existe a possibilidade de que alguns esportistas venham a se envolver tão avidamente com a prática de esportes a ponto de deixar de lado o interesse pelo aprimoramento intelectual? Caso aconteça, qual é a providência que o treinador deve tomar? Hoje em dia, o garoto para disputar campeonatos de qualquer modalidade esportiva, tem que estar matriculado em uma escola. A responsabilidade é dos dirigentes, pois logo que o garoto inicia a sua carreira esportiva, torna-se necessário exigir que ele estude. A partir daí é que entra em vigor a atividade do técnico na vida do atleta.

 

Em Guaxupé, você desenvolveu vários projetos em prol do esporte na cidade junto às escolas. O que foi conquistado e qual foi o apoio recebido por parte das autoridades e de outros?  Primeiramente, eu quero dizer que tudo que foi feito no período em que estive a frente de alguns projetos esportivos em Guaxupé, tivemos a ajuda de muitos colegas e de ex-professores que tinham sido meus alunos em épocas passadas. Empresários e indústrias nos ajudaram, pois sabiam dos nossos objetivos e nos davam credibilidade, colaborando com resultados positivos para a cidade. Eu lutei para que o esporte tivesse inicio nas escolas. Eu me lembro de quando voltei a Guaxupé e criamos novamente os jogos estudantis. Foi sensacional ver as escolas envolvidas neste projeto. Outro trabalho cumprido foram os Jogos da AMOG que, até hoje, estão sendo realizados. Houve, também, o projeto dos Jogos Regionais do SESI que, na época, foi reconhecido como grande evento pela cidade de Belo Horizonte, sede geral do SESI de Minas. A escola da Sociedade Esportiva Guaxupé, que colocamos o nome do saudoso Tufi Sayeg, foi outra grande realização.

Antes de se mudar de Guaxupé, você foi treinador de várias modalidades esportivas na cidade: Futebol, Basquete, Vôlei, entre outros. Como foi que você começou a trabalhar no ramo quando ainda nem estava formado? Eu comecei cedo a treinar as equipes quando fui contratado para dar aulas de treinamento esportivo no Ginásio Estadual, mesmo não sendo formado ainda pois, na época, havia falta de professores na área. Treinei também as meninas do Colégio Imaculada Conceição e as equipes que representavam Guaxupé em torneios e campeonatos.

 

O Zé Calicchio descobriu o esporte ou foi o esporte quem adotou o Zé Calicchio? Ou seja, como foi que se deu essa ligação tão sólida? Acho que os dois, eu não me via sem estar praticando esporte. Tive um grande amigo, além de irmão, o Bizão, que desde pequeno eu o acompanhava e participava com ele de atividades esportivas. O importante para mim foi ter aprendido a praticar várias modalidades esportivas e poder ensinar para os meus amigos da época.

 

Uma vez que você citou o inesquecível e amado Bizão, sem a estrutura familiar que você teve, seria possível se tornar o profissional gabaritado que você é? Sabemos que a família é a estrutura de tudo, graças a Deus tive e tenho uma família estruturada. Sempre tivemos em nossos pais e irmãos um carinho que até hoje carregamos e tentamos passar para os nossos filhos e netos. Na vida, tudo o que conseguimos não é sozinho, e a família tem um peso importante em nossa formação.

 

Você estruturou uma empresa de consultoria para a área técnica de futebol, a JRCalicchio. Como atua esta organização? Eu sou procurado por equipes e empresas envolvidas no futebol para montar projetos de desenvolvimento estrutural e técnico. Exemplificando: há algum tempo, desenvolvemos um trabalho social com 300 crianças em Valinhos. Montei todo o projeto que envolveu a secretaria de Educação, Saúde e Esporte. Este projeto foi patrocinado pela Faculdade Anhanguera e levou o nome do Zico.  Eu sou grato a todos que acreditaram em nossos projetos e sempre digo: o sucesso está em fazer o que se gosta, ser profissional, ser organizado, estar sempre aprendendo e poder passar seu conhecimento para os profissionais que estão iniciando na área do Esporte. Hoje, tenho a satisfação de ter voltado a trabalhar no SPFC e estar coordenando 30 escolas no Brasil, com mais de 7.000 alunos, e estar abrindo uma no exterior (Canadá). Estas Escolas têm uma programação anual e vamos realizar a 16ª Copa das Escolas Licenciadas do SPFC na Cidade de Poços de Caldas, no período de 16 a 20 de julho de 2017.

 

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