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Rosângela Felippe, entrevista

NELMA MENDONÇA

CONHEÇA A HISTÓRIA DESSA MINEIRA DE BOM JESUS DA PENHA

QUE ABRAÇOU A ARTE DE REPRESENTAR NA MATURIDADE

 

Nelma Cristina Mendonça mudou-se com a família para Guaxupé aos dois anos de idade onde viveu os melhores momentos de sua infância e de sua adolescência. Tendo feito amigos de grande estima,  Guaxupé tornou-se a sua cidade de coração.

Sua trajetória escolar começou no Parque Infantil, seguindo para o Grupo Barão de Guaxupé e Escola Estadual Dr. Benedito Leite Ribeiro.

Antes de se tornar atriz, Nelma Mendonça atuou como secretária e microempresária ocupando cargos nas empresas: Exportadora de Café Guaxupé, Leite Fazenda Bela Vista, Themag Engenharia e Engecorps Engenharia.

Mãe de Lucas Mendonça Santos (22), assistente administrativo, e de Laura Mendonça Santos (20), recreadora, Nelma é avó de Sophia Amarante Mendonça, de três anos de idade.

Aos 46 anos, Nelma ficou frente a frente com a arte dramática vencendo o próprio preconceito de que estaria em idade inadequada para exercer a profissão de atriz. Hoje, está convicta de que escolheu o caminho certo. Sem nenhuma intimidação, ela vem se revelando com talento e recebendo a aprovação e a simpatia do público.

Nesta entrevista, a artista assevera a sua paixão pelos palcos e pelas telas incentivando a todos que sonham com uma nova carreira profissional, mas que se negam ir à luta por não acreditar que sempre é tempo de alcançar um novo ideal.

 

Você sempre foi considerada uma bela mulher, com boa estatura, elegante, desenvolta e, no passado, seguiu a carreira de manequim de passarela. Por que, então, somente agora está abraçando a profissão de atriz?

Quando cheguei a São Paulo, em 1987, eu queria fazer o curso de manequim no SENAC para poder tirar o tão almejado registro profissional (DRT). E consegui. A passarela era meu palco, mas sempre soube que a carreira de manequim seria curta e então queria fazer comerciais de TV. Sempre adorei comerciais. Fiz um, por acaso, mas só apareceu minha cabeça vista do alto (risos). Já faz trinta anos. Fiz alguns trabalhos, mas a carreira não deslanchou. Investir em outros cursos foi impossível na época. Hoje consigo pagar um curso, administrar melhor meu tempo. Os filhos cresceram e posso me dedicar mais à arte.

 

Além de representar, você ocupa o cargo de consultora de documentação técnica, na Engecorps (empresa de engenharia consultiva).  Se de um momento para o outro a sua carreira de atriz decolar do modo como almeja, você deixará de ser consultora para se dedicar somente aos palcos e às telas?

Trabalho na Engecorps há 28 anos. Penso sim em trabalhar somente como atriz, mas ainda seria um passo muito grande, principalmente na situação atual em que o país vive. Por enquanto estou conseguindo conciliar. Ainda estou engatinhando na profissão de atriz, tenho muito trabalho pela frente. Mas é um sonho, viver da arte.

 

A sua decisão, aos 46 anos de idade, em se tornar atriz, a faz pensar que para algumas escolhas na vida é preciso esperar o momento certo para entrar em ação?

Quando entrei pela primeira vez na Oficina de Atores de Pinheiros (SP), não sei explicar, mas tive certeza de que era aquilo que eu queria fazer. Ali era o meu lugar. Aquela era a minha hora. Sempre acreditei que tudo acontece quando tem de acontecer. Quando percebi que meus filhos cresceram, minha neta tinha nascido, pensei: “É a hora de eu cuidar de mim”. Onze meses de curso de TV e cinema e dezoito meses de teatro. E não parei mais.

 

Ao se revelar como atriz, você contava com o preconceito de alguns que julgam a idade imprópria para começar a trilhar esse caminho? Afinal, nem todos observam que nos roteiros de teatro, TV e cinema estão inseridos personagens de todas as faixas etárias.

Dentro da Oficina de Atores, tive vários professores que tinham a minha idade e meus precursores, Mara Faustino e Níveo Diegues, sempre me incentivaram e me motivaram. Sinceramente, eu era a preconceituosa. Eu me achava velha demais para iniciar uma carreira de atriz e tinha vergonha, já que os outros alunos eram bem mais jovens (risos). Hoje, a Oficina tem alunos mais velhos que eu, acho o máximo isso. Fora do curso, sim, o preconceito ainda existe.

 

Você encontrou apoio por parte da família e amigos ao anunciar que iria cursar Artes Cênicas?

Minha família e meus amigos tiveram um papéis fundamentais na minha escolha. Não sei se teria coragem para seguir em frente sem o apoio de todos. Não acredito que se consiga algo na vida sozinho. Precisamos uns dos outros, sempre.

 

Além de ter se formado em arte dramática, atualmente você está cursando faculdade de filosofia. Em sua opinião, há correlação entre esses dois aprendizados no que se refere à natureza humana?

Em uma reportagem em 02/06/2017 por acasadevidro. com, eu li um texto que achei fantástico e que me ajudou muito a iniciar meus estudos filosóficos. Augusto Boal soube criar pontes entre o teatro e a filosofia de modo explícito onde presta homenagem conjunta a Stanislavski e a Sócrates: “O estudo de Stanislavski foi pedra fundamental na minha carreira. Foi ele que sistematizou um método que ajuda o ator a buscar, em si, ideias e emoções atribuídas aos personagens. Nesse sentido, uma das principais funções do diretor é ser maiêutico, como Sócrates no seu processo de filosofar – o filósofo é a parteira que faz o aluno descobrir o que já sabe, sem saber que o sabe, através de perguntas que provocam a reflexão, abrindo caminho para a descoberta.”

 

Quais trabalhos você já realizou como atriz e o que mais está sendo preparado por você juntamente com o seu grupo teatral?

Fiz três peças pela Oficina de Atores onde atuei: ‘As bruxas de Salem’, de Arthur Miller; ‘A tempestade’, de Willian Shakespeare; ‘Assis Valente, um Musical Brasileiro’, do dramaturgo Zeno Wide. Fui assistente de produção, figurino, cenografia e operadora de som de mais três: 'Uma Viagem ao Mundo Encantado – Sítio do Pica-pau Amarelo’, de Monteiro Lobato (Livre adaptação de Níveo Diegues), ‘Um Homem, Uma Mulher e Uma Flor’, com textos de vários autores e dos alunos da Oficina de Atores e ‘O Corcunda de Notre Dame’, de Victor Hugo. Fiz trabalhos de vídeo para o Grupo Petrópolis - veiculação interna, um piloto para Web Série – ‘Destino’ e uma cena de novela ‘Páginas da Vida’. Hoje faço parte de dois grupos: Grupo TECE – Teatro Contemporâneo Experimental – onde formaremos um grupo de estudos em fevereiro e da Cia. Atrote Iluminista, onde iniciaremos os ensaios ainda em janeiro para a montagem do ‘Meu Pequeno Príncipe’, ainda sem data para estreia.

 

Qual foi a sensação ao pisar pela primeira vez em um palco e ficar frente a frente com a plateia?

Foi muito emocionante! Perceber que as pessoas estão ali para lhe ver e que o mínimo que você pode fazer é dar o seu máximo. Foi quando eu descobri que o teatro estava em mim. Sim, porque eu não sabia. Sempre gostei de TV e Cinema. Quanto ao teatro, este seria apenas uma consequência dos outros dois. Eu achava que não gostava de teatro.  Quando subi ao palco, senti aquela energia de que todos falam, e não quis sair mais.

 

Há algum ator ou atriz com quem você gostaria de dividir uma cena?

Há vários. Mas em especial alguns amigos como o Eucir de Souza, Vanessa Marques e Jair Beani que penso: ainda tenho muito que aprender com eles que são minha grande inspiração.

 

Como você analisa, nos dias atuais, as oportunidades oferecidas aos novos atores e atrizes?

As oportunidades existem, mas o mercado está cheio de atores. Então, quanto mais dedicado você for a tudo relacionado às artes: canto, dança, instrumentos musicais, técnicas circenses, entre tantos outros, suas chances aumentam. A profissão exige muito trabalho, dedicação total, talento, um pouquinho de cara de pau e sorte.

 

De acordo com o seu ponto de vista, o fato de poder representar é mais significativo do que a fama em si ou todo artista precisa de notoriedade para se sentir realmente realizado?

Todo ator quer a fama, ou pelo menos a maioria quer. Mas mais do que tudo, o ator quer trabalhar. Eu estou muito feliz em ter o teatro na minha vida e estar trabalhando sempre, seja no palco ou atrás dele.

 

Há planos de você atuar também como diretora ou roteirista?

Já trabalhei como assistente de direção, mas acho que não tenho muito jeito pra isso (risos). Gosto de ser dirigida. Como diretora, penso que eu seria muito exigente. Mas não descarto nenhuma possibilidade e/ou oportunidade que possa surgir. Como roteirista penso que preciso amadurecer muito antes de tentar escrever algum roteiro. Mas, quando se trabalha com teatro, as coisas vão acontecendo e, quando você percebe, já está fazendo de tudo.

 

Existe algum personagem da vida real que você gostaria de levar para os palcos ou para a TV que nunca tenha sido referido em obras de teatro, cinema e telenovelas? Se houver, qual a razão?

Não tem nenhum personagem que ainda não tenha sido levada para os palcos ou para TV penso eu. Mas tenho vontade de fazer vários. Uma vilã, por exemplo, é uma personagem que eu gostaria muito de fazer, pois fugiria totalmente da minha personalidade. As vilãs são fantásticas em minha opinião.

 

Você se classifica uma atriz tanto dramática quanto cômica, ou seu estilo tende mais a um desses lados?

Gosto tanto do drama como do cômico. O importante é amar sua personagem e se entregar totalmente a ela, de corpo e alma.

 

Apoiada em suas próprias experiências, quais as dicas que você pode transmitir às pessoas que querem seguir os caminhos da arte dramática, mas não sabem por onde começar a trilhar?

Um bom curso ou uma faculdade de artes cênicas seria um bom começo. Levar a sério! Ser ator exige talento, vontade e um pouco de sorte, às vezes. Mas responsabilidade, dedicação, estudo e comprometimento estão acima de tudo. Ouçam seus professores, eles definitivamente sabem o que dizem. Deixar um pouquinho de lado o ego. Esse pode ser a armadilha para o insucesso. Amar e respeitar o palco. Amar e respeitar seus parceiros de cena. Ninguém atua sozinho. Vá ao teatro assistir muitas peças! Muita ‘merda’ para vocês e para mim também, claro (risos)!

Obs.: A expressão ‘merda’ no teatro refere-se ao fato de um artista desejar ao outro ‘muito sucesso’.

 

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