Conteúdo para toda família

Pediatria
Dr. Heber Hamilton Quintella

Meu filho está com febre

A febre em si não é uma doença, é um sinal de alarme, indicando que algo está errado no organismo. A febre pode vir acompanhada de calafrios, que indicam que a temperatura da criança vai subir; quando a febre cai, geralmente, observa-se sudorese (suor abundante). Na maioria das vezes, a febre em crianças tem como causa mais comum: infecção. A febre pode causar convulsões: existem crianças que são predispostas a esse tipo de reação, porém nem sempre a intensidade da febre está relacionada com ela. Enfoque crítico de alguns conceitos

A febre mascara a evolução da doença e dificulta o diagnóstico? Não existe nenhum caso em que o uso de antitérmicos mascarou a curva febril e obscureceu o diagnóstico. Ao contrário, o caso em que a febre persiste elevada, apesar do uso de antitérmicos, ou persiste por tempo prolongado (mais de 3 dias) ou em  que a criança continua muito abatida ou gemente, (mesmo após o controle da febre pelo antitérmico), alerta para a possível gravidade, e/ou necessidade de estudo etiológico mais aprofundado, com o auxílio de exames laboratoriais.

Não quero que a análise acima dê a impressão de que os antitérmicos devam ser usados de maneira irrestrita; ao contrário, eles devem ser objetos de uso racional. Cabe ao pediatra um papel educativo: Combater a “febrefobia”  (medo de febre) tão frequente em nosso meio, explicando que a febre é apenas a manifestação de uma doença e não tem perigo em si desde que controlada em níveis  razoáveis. Um pouco de febre é útil para a reação do organismo. Explicar que o papel do antitérmico é tornar a doença mais confortável e que o início do efeito ocorre em 60 minutos e dura 4 a 6 horas e não é necessário que a temperatura se normalize totalmente. Desde  que a criança  esteja se sentindo bem  é perfeitamente tolerável uma febre baixa (um critério razoável pode ser febre abaixo de 38,5).

 A tendência atual da prática pediátrica de receitar novas drogas anti-inflamatórias (Cataflan, Diclofenato, Nimesulida) em qualquer processo de infecções respiratórias ou similar, é um fato abusivo, mal orientado, sem qualquer apoio científico-experimental. Representa apenas um modismo estimulado por  propaganda tendenciosa e pode mascarar a doença dificultando o diagnóstico e deve ser, portanto, desencorajada.

A família deve se comunicar com Assistência Médica caso ocorra febre acima de 39,5º C, especialmente se acompanhada de calafrio, febre que dura mais de 72 horas, febre que aparece após um período a febril de mais de 24 horas,  abatimento acentuado (mesmo após o antitérmico) com gemência. Há de se ter vigilância se surgirem sintomas diferentes ou erupção na pele, quando  o Pronto Socorro deverá ser preocurado.

 

Manejo da Febre

 

1 – Procure determinar com a maior precisão o início da febre – não aceite alegação genérica “está com febre a 3 dias”.  Toda febre de mais de 72 horas deve ser investigada. Usar sempre o termômetro, nunca a palma da mão.

2 – Na evolução da febre ocorrem súbita elevação com tremores de frio, palidez e cianose peribucal, procurarem Pronto  Socorro.

3 – Recém-Nascidos com febre é situação de alarme, mesmo que seu aspecto não seja de todo mal, procurar  assistência Médica.

4 – Qualquer febre, mesmo que o caso seja grave, cede temporariamente após a administração de antitérmico – não deixe enganar.

Atenção: o que vale clinicamente vigiar. Criança aparentemente grave ou na faixa de dúvida, que melhora muito seu humor e disposição  e chega a sorrir  sob efeito do antitérmico, provavelmente o caso não é grave, mas  devemos continuar vigiando  por até 48 horas se necessário. Se o abatimento (prostração) persistir após o decréscimo da febre; cuidado Assim o que vale é a observação atenta nessas primeiras horas.

 

Tratamento Antitérmico

 

1 – Medidas gerais: roupa leve (evitar excesso de agasalhos), quarto ventilado, repouso relativo, oferta generosa de líquidos (sem forçar), alimentação de acordo com o apetite.

2 – Antitérmicos: o uso do antitérmico (remédios contra a febre) é necessário quando a temperatura ultrapassar 37,6ºC.

- Quando há boa aceitação: gotas a cada 4 horas, (1 gota por quilo); xarope a cada 4 horas

 - Quando não há boa aceitação: supositório pediátrico a cada 4 horas, intramuscular cada 6 horas.

 

Atenção: se após 40 minutos de medicação a febre não ceder ou baixar pouco recomenda-se o uso do Ibuprofeno gotas. Esta  situação deve ser repetida cada 4 horas todas as vezes  que a temperatura passar de 37ºC.

 Medidas físicas também são indicadas quando a febre permanece acima de 39,5ºC, uma hora depois da administração do antitérmico. Deve-se despir a criança, envolvendo-a apenas com um lençol e colocar compressas frias em sua fronte. Se  isso não for suficiente, enrolar toda a criança em toalha úmida e morna, deixando-a esfriar. Renovar frequentemente a toalha para que ela não se aqueça nem seque.

Pode-se também fazer o Banho de imersão, com  água morna (temperatura um pouco inferior à do paciente), prolongar o banho por 10 minutos ou mais, deixando a água esfriar gradualmente. e também o  banho com esponja, friccionando delicadamente o corpo da criança com esponjas umedecidas em água morna. A  fricção deve ser feita em partes sucessivas: primeiro um braço, depois o outro, as pernas, o peito e as costas; a duração total deve ser de 20 minutos; aplicar concomitantemente uma compressa fria na fronte.

 

Advertências importantes:

 

Nunca acrescentar álcool POR perigo de intoxicação; nunca colocar a criança com febre alta em água gelada: é perigoso pois corre-se o risco de colapso periférico, além de ser ineficaz, pois provoca tremores que aumentem a febre). Sempre que aparecerem tremores, suspender o banho ou as compressas frias e aquecer moderadamente a criança. Jamais colocar a criança com convulsão em banho de imersão por perigo de asfixia. Não espere que a temperatura caia a menos de 38ºC com essas medidas.

 A dipirona (Novalgina) é o mais eficaz dos antitérmicos usados. Por isso é de escolha nas crianças que têm predisposição à convulsão febril. Por outro lado é raro, mas a queda brusca da febre produz efeitos desagradáveis. O pavor por alterações sanguíneas provocadas pela dipirona não parece corresponde à realidade, segundo a larga experiência em nosso meio.

 A dipirona em gotas tem sabor muito desagradável e por isso provoca vômitos com frequência. Recomenda-se que seja bem adoçada. Já a solução oral (xaroposa) tem sabor muito bom, mas sua eficácia é menor.  É de boa norma perguntar à mãe o antitérmico que a criança aceita melhor, e qual a dose eficaz e basear-se nesses dados para a prescrição do caso.

Para crianças que não estão aceitando medicamentos por via oral é útil o uso de supositórios (Novalgina infantil). Reservar o uso de antitérmicos injetáveis para casos absolutamente excepcionais.

Convulsão febril: Trata-se da convulsão mais comum da infância. São convulsões que ocorrem na vigência de febre e são mais frequentes entre os 9 meses e os 5 anos de idade e os bebês entre 14 e 18 meses. Atinge apenas 3 a 4% de todas as crianças.  Quanto mais nos aproximamos dos 5 anos de idade, menos frequente é o seu aparecimento.

 A maioria das crianças (70%) apresenta convulsão febril uma única vez. As demais (30%) costumam ter de 2 a 3  crises em toda a infância. Alguns fatores estão relacionados com a repetição da convulsão febril, como a idade da 1ª  crise. Se ela ocorrer antes dos 12 meses, as chances de ter outra crise são de 50%, mas se for após os 12 meses a chance da recorrência cai para 30%. Crianças que possuem familiares, especialmente os de primeiro grau, que  tiveram convulsão febril na infância têm maior risco de apresentar mais de um episódio.

É importante salientar que febre não é sinônimo de convulsão, mesmo nas crianças que já apresentaram uma ou mais crises. São consideradas convulsões benignas as que não deixam sequelas motoras e prejuízos intelectuais. Não foi relatada nenhuma morte devido à convulsão febril em e um dos maiores estudos já realizados sobre este transtorno. Além disso, a convulsão febril não aumenta a chance de a criança desenvolver epilepsia, que é   caracterizada por convulsões repetidas que ocorrem na ausência de febre.

O tratamento da convulsão febril geralmente se limita ao tratamento da febre e de sua causa, mas em algumas situações pode ser necessário uso de medicamentos específicos. Um cuidado especial é não agasalhar demais as  crianças durante a febre, para auxiliar o organismo a eliminar o calor. Outras causas de convulsão deverão ser excluídas, assim a criança deverá ser avaliada pelo pediatra em um serviço de emergência, principalmente no  primeiro episódio ou se a crise demorar a passar.

Vale lembrar que pais neuróticos exageram os sintomas e a febre. Lactente de menos de 2 meses com febre sem causa aparente necessita  acompanhamento cuidadoso e estudo laboratorial, mesmo que apareça clinicamente bem. Convulsão com febre em lactente de menos de 6 meses não é convulsão febril benigna; obrigatório exame do líquor. De olho na alimentação! Criança doente não tem apetite, por essa razão, é essencial estimulá-la a comer e beber. Ofereça alimentos e líquidos que prefere principalmente macios e doces – aos poucos e tão frequente possível.  Leite materno é especialmente importante.

 

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