Conteúdo para toda família

Pediatria
Dr. Heber Hamilton Quintella

HPV no homem

é realidade preocupante

 

Pela possibilidade de acometer homens em qualquer fase da vida e ocasionar diferentes tipos de lesões genitais, a prevenção da infecção pelo HPV (Papilona Virus Humano) no sexo masculino por meio da imunização contra vírus torna-se uma medida importante.

O avanço das técnicas de diagnósticos molecular possibilitou a detecção do genoma do HPV em diversos tecidos e demonstrou a importância da infecção no homem, não apenas por este ser considerado vetor do vírus (transmissor), contribuindo para a transmissão da infecção para as mulheres, mas também pela associação do HPV com o carcinoma de pênis. O Brasil é considerado um país de alta incidência de câncer de pênis, já que representa cerca de 2% dos tumores malignos do sexo masculino, mais frequente nas regiões Norte e Nordeste, 80% dos casos são homens com HPV recidivante e que já se submeteram a vários tratamentos.

 

Risco mensurado

 

No Brasil, pelo menos 10 milhões de indivíduos já entraram em contato com HPV e 700 mil já manifestaram a doença relacionada ao HPV. O homem pode se contaminar com o HPV durante toda a vida. Em homens jovens, o risco de contrair HPV na primeira relação sexual é de 60% nos primeiros dois anos.

Considerando pênis e escroto, os estudos mostram que a prevalência de HPV é de 65,2% e o risco acumulado de uma infecção em 12 meses alcança 29,2%. O assunto, portanto, é bastante preocupante no âmbito urológico e da saúde do homem. “Encontramos atualmente infecção por HPV nas regiões genital, anal e orofaringe, com aumento de casos de câncer relacionados ao vírus nessas regiões. Em todo o mundo, 5% dos cânceres são ocasionados por HPV”.  É a doença sexualmente transmissível de maior prevalência, superior ao herpes e à AIDS em mil vezes.

 

Alteração cromossômica

 

No hospital A. C. Camargo (Hospital do Câncer), em São Paulo, identificou das alterações no cromossomo 3 para o câncer de pênis, associadas a características de pior prognóstico, culminando em mais recidivas e tumores  mais avançados. São os casos dos condilomatosos e basaloides. O tipo mais comum do HPV associado ao câncer de pênis, conforme o estudo é o 16 (85% dos casos), de alto risco oncogênico e comum também em tumores de colo de útero e carcinomas de orofaringe.

 

Tipos de maior risco oncológico

 

Verrugas genitais têm risco de transmissão de 75% e constituem em um problema de saúde pública por seu impacto psicológico negativo importante, com comprometimento da sexualidade e da autoestima. Pesquisadores mostram alguns tipos de HPV estão fortemente relacionados à etiologia do carcinoma anogenital e suas lesões precursoras. O HPV 16 é o tipo mais frequente, estando presente em até 87% no canal anal. Apesar de ser relativamente raro, vem sendo cada vez mais diagnosticado, nas últimas décadas, sobretudo em indivíduos do sexo masculino. A incidência é ainda mais elevada nos grupos considerados de risco, particularmente, os homens e as mulheres HIV positivos e os homens que faze sexo com homens.

Grande parte das pesquisas direcionadas à infecção anal pelo HPV e sua relação com neoplasia intraepitelial anal e com o carcinoma esteve focada nos grupos de risco. Pouco interesse vem sendo destinado à investigação dos homens heterossexuais. Estudos epidemiológicos da prevalência da infecção pelo HPV em homens mostraram que os heterossexuais masculinos apresentam infecção anal pelo HPV em até 12% dos grupos pesquisados.

 

Cuidados preventivos

 

A prevenção primária com uso de preservativo só alcança proteção de 70% por não cobrir todo o genital. A vacinação contra HPV em meninos e meninas de 9 a 13 anos de idade, segundo, a Organização Mundial da Saúde, é a principal forma de prevenção antes do início da atividade sexual. A prevenção secundária como detalha o professor da Santa Casa, consiste em realizar diagnóstico precoce de lesões suspeitas na genitália masculina.

O diagnóstico do HPV no homem consiste na localização de lesões clínicas por meio de exame físico e de lesões subclínicas com exames de peniscopia. “Atualmente nos referimos tanto nos homens quanto nas mulheres como genitoscopia, pois é realizada a avaliação de toda a região genital”. É realizada a biópsia nas lesões suspeitas e encaminhada para exame histológico – quando possível, para exame de DNA do HPV.

 

Conduta terapêutica

 

O tratamento ideal vai depender do tipo, da localização e da extensão das lesões, além da presença de fatores predisponentes e da imunidade de cada paciente. Mas, conforme a conduta consagrada na atualidade, o ideal é localizar e eliminar os fatores predisponentes e entrar com tratamento imunológico.

Os fatores predisponentes nos homens são o uso de corticoides, uso de drogas como fumo, álcool, cocaína, maconha, entre outros, além da presença de fimose e balanite de repetição. A adoção de métodos terapêuticos para lesões consequentes ao HPV, segundo o médico, depende da experiência de cada profissional com os procedimentos clínicos ou cirúrgicos e o custo associado.

 

Vacina contra o HPV em homens

 

No Brasil, a vacina quadrivalente contra HPV (6,11,16 e 18) está aprovada para uso em homens de 9 na 26 anos para a prevenção de verrugas genitais e neoplasia intraepitelial anal de alto grau e câncer anal. Estudo buscou avaliar a segurança e eficácia da vacina quadrivalente recombinante contra HPV (6, 11, 16 e 18), na prevenção do desenvolvimento de lesões genitais externas e infecção anogenital pelo HPV

Para o condiloma acuminado (verrugas) – lesão genital externa mais frequente no estudo - , a eficácia da vacina quadrivalente recombinante contra HPV (6, 11, 16, e 18) foi de 89,4%. Esse estudo demonstrou, portanto, que a vacina quadrivalente recombinante contra HPV preveniu a infecção pelos tipos 6, 11, 16 e 18 e o desenvolvimento de lesões genitais externas relacionadas a esses tipos na população masculina estudada.

Sem dúvida, a melhor maneira de combater uma doença é pela prevenção primária, e a vacinação ocupa um espaço importante. “Já ficou estabelecida a eficácia da vacina tanto em meninos quanto em meninas e o ideal é que realizemos a vacinação antes do contato com HPV, portanto antes da primeira relação sexual”. Nos homens a presença do HPV em casos de “câncer peniano” ocorre em 30% a 50% dos casos. Além disso, não se pode esquecer a relação entre HPV e câncer em outras regiões como orofaringe e ânus, que vêm aumentando nos últimos anos, como alerta o autor.

Recentemente destacaram os benefícios da imunização com a vacina quadrivalente recombinante contra HPV (6, 11, 16 e 18)  do ponto de vista epidemiológico, bem como em termos de custo-benefício, já que a imunização proporciona redução dos custos com o diagnóstico e o tratamento das lesões relacionadas ao vírus. Embora as estimativas de diminuição dos custos possam variar de acordo com as hipóteses adotadas, a custo-efetividade da vacinação contra o HPV foi confirmada por vários estudos que foram desenhados para avaliar diferentes estratégias de vacinação.

 

Comentário da Sociedade Brasileira de Urologia

 

Os especialistas prestaram atendimento urológico, clínico e cirúrgico em hospitais públicos e orientaram sobre os fatores de risco controláveis e os sinais visíveis do câncer de pênis.

De acordo com a SBU, o tumor representa 2% de todos os tipos de câncer que atingem o homem, sendo mais frequente nas regiões Norte e Nordeste. Segundo o Datasus, há cerca de mil amputações por ano do órgão. Condições socioeconômicas precárias e baixo acesso a informações se ligam à má higiene íntima como fatores de risco ambientais. Homens não circuncidados (com fimose) também são mais acometidos em consequência do acúmulo de esmegma (secreção branca resultante da descamação celular). O estreitamento do prepúcio é um conhecido fator de predisposição ao câncer peniano, assim como a infecção pelo HPV.

“O câncer de pênis é um dos poucos que se é possível prevenir. É preciso orientar o paciente a lavar o pênis com água e sabão, puxando o prepúcio – a pele que encobre a glande – principalmente após relações sexuais ou masturbação, usar preservativo nas relações sexuais e fazer a cirurgia em caso de fimose ou exuberância de prepúcio na puberdade”, afirma o presidente da SBU.

Você já pensou se seu filho tiver um problema desse, porque não usou a vacina, por falta de esclarecimento ou descuido seu?

 

 

INSTAGRAM

Curta esta página no Facebook

Poste no seu Twitter

© EDITORA MÍDIA LTDA | Av. Conde Ribeiro do Valle, 255 | 2º Andar | Sala 8

Telefone: (35) 3551-2040 | Cep 37800-000 |  Guaxupé | MG