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Meíta Bardi, colunista

meitabardi@yahoo.com.br

 KARINA FERREIRA MELLO TAO

 

Fiquei muito surpresa e lisonjeada com o convite da Meíta para contar um pouquinho da minha história na sua famosa coluna! Espero inspirar um pouquinho vocês. Sou Karina Ferreira Mello Tao. Sou casada com Ricardo Sciarpeletti Tao e mãe de Manuela, 6 anos. Minha mãe é a Ronilinda Ferreira Mello e meu pai é o Luiz Carlos de Mello. Tenho dois irmãos mais novos lindos: Murilo que me deu duas sobrinhas - muito amadas por mim - e Yuri, que ainda se prepara para ter sua família.

Nasci em Guaxupé há 37 anos e acabo de perceber o quanto estou velha para os meus padrões de quando era criança!  Tanta história para contar... Não sei nem por onde começar.  Ah! já sei! Quando tinha 5 anos, minha avó paterna, Irene Krauss, colocou-me para realizar um sonho dela e foi o meu primeiro desafio: aprender a tocar piano! Acho que eu tinha talento, pois na primeira aula toquei a música “eu vi uma barata na careca do vovô”. Com uns 8 anos, eu  ia sozinha para as aulas de piano com a Tia Waldê. Ah, que saudade dela! Ela me deixava virar cambalhota nas almofadas da sala de piano e eu ficava admirada ouvindo-a tocar na missa na Catedral. E me imaginava tocando como ela. Às vezes, minha avó fazia as leituras da missa e eu ficava toda orgulhosa por vê-la no altar, na frente de todos e pensava quão importante ela era por fazer aquilo!

 Eu voltava das aulas de piano e parava para tomar água na bica que tinha  na Praça da Catedral.  Depois passava na porta da casa das minhas tias Dita e Nina e via meu vô Lilico na janela. Dá saudade lembrar! Elas são muito mais que tias para mim. Mães também para toda a família. Amo de paixão! Tia Nina sempre cozinhando aquela comida gostosa que ninguém mais consegue fazer! Não deixa a gente sair da casa dela sem comer alguma coisa gostosa que preparou! Tia Dita costura como ninguém! Nossa! Cada enxoval de bebê!  Elas moram até hoje na mesma casa e eu morei pertinho delas e era vizinha da Tamara Sabbag! Ô vida boa! A gente pulava o muro para brincar e adorava estarmos juntas. Fui estudar no “Pingo de gente” dos queridos tios Eny e Élcio Turri e “arrastei”  a Tamara para a escola também! Minha linda amiga-irmã até hoje! No Pingo, conheci a Elisa Turri e logo ela se tornou minha segunda amiga-irmã. Nessa época, a gente tinha medo da Dola e gostava de gritar para o Braizinho dar três pulinhos. A Dola virou estrelinha e do Braizinho não tenho notícias.

No Pingo, fiz muitos amigos. Entre eles, a Maria Thereza Faria e a Fernanda Marques. Estudamos no Delfim Moreira e depois fomos para o Dom Inácio. Lá, a Mariana Costa Monteiro se tornou nossa amiga e sempre estávamos grudadas. Adorávamos ir ao Country Clube!

Crescemos e chegou a hora do vestibular. Eu queria muito ser dentista. Tamara Sabbag e eu sempre brincávamos de dentista. Ela se tornou uma e eu não. Eu queria entrar em uma escola pública para não dar tantas despesas para os meus pais. Então, tentei só a FUVEST e quase passei.  No ano seguinte resolvi trabalhar e estudar em casa. Ia para o cursinho só para as aulas de História e Geografia. E chegou o vestibular novamente! E agora? E se eu não passasse? No fim, dormi em cima do livro da FUVEST onde tinha informações sobre as profissões e notas de corte e, do nada, acordei e gritei Fonoaudiogia! Olhei a nota de corte e pensei: eu passo! E foi o que aconteceu! Passei e lá fui eu para São Paulo. TRA-CA-TRA era o grito de guerra na minha nova escola. Escola Paulista de Medicina - hoje conhecida como UNIFESP. Eu continuava sonhando com a Odontologia. Como termino tudo o que começo, terminei o curso (puxadíssimo) de Fonoaudiologia, em 2003. Durante o curso, sempre gostei de Audiologia. Nas aulas de aparelhos auditivos Melissa (minha amiga-irmã da faculdade) éramos as únicas que entendiam as matérias. Deus sempre me deu boas amigas! Dida também foi uma delas.

Fiz estágio em uma empresa de aparelhos auditivos e logo recebi uma oferta de trabalho. Em Janeiro de 2004, eu já estava trabalhando! Outra benção de Deus! Fui fazer especialização em Audiologia Clínica na USP no mesmo ano e em setembro fui para outra empresa de aparelhos auditivos. Fiquei lá por quase 4 anos. Época bem difícil, andando a pé ou de ônibus para atendimento domiciliar carregando equipamentos, bolsa...  E quando chovia? Ainda tinha o guarda-chuva e, para ajudar, roupa branca! Resolvi falar com o patrão: ou você me dá um carro para trabalhar ou me ajuda a comprar um. Ele me emprestou R$5 mil e dei de entrada num Celtinha preto que eu amava! Na época, eu ganhava muito pouco, mas em 3 meses paguei o empréstimo.  Foi por Deus ou não foi? Eu estava muito estressada naquele emprego e comecei a ter problemas de saúde. Eu somatizava tudo!

 Então, tive uma conversa séria com Deus para que me ajudasse e que arrumasse um bom marido para cuidar de mim. Eu merecia! Nessa época, eu morava com meu pai em SP e como era legal! A gente chorava nas novelas, nas propagandas... saudade! Meu pai sempre trabalhou fora e então a gente não via a hora de chegar o fim de semana para irmos para Guaxupé. Íamos de 15 em 15 dias.

Em 2007, me deu uma vontade incontrolável de sair do Brasil, mas eu não tinha coragem de pedir demissão. Sempre fui uma pessoa indecisa na hora das escolhas. Mas, eu sabia direitinho para onde eu tinha que ir! Perth, na Austrália! E foi ai que Deus mais uma vez agiu. Fui demitida do trabalho.

Logo arrumei outro emprego e comecei a juntar um dinheirinho para minha viagem! Convidei a Elisa Turri e ela aceitou ir comigo para a Austrália, em 2008. Chegando lá, vi que não sabia nada de Inglês! Ainda bem que a Elisa era boa nisso e foi a minha salvação.

Conseguimos emprego de garçonete em um restaurante na esquina da casa onde morávamos e logo arrumei mais um emprego: de arrumadeira em um hotel.

Meu inglês melhorava, mas era insuficiente para trabalhar na minha área. Mesmo assim, me inscrevi para uma vaga e quando a atendente me ligou, vi que ainda tinha muita dificuldade com o Inglês. Então, me propus a fazer os cursos necessários para conseguir o trabalho.

Comprei um carrinho velho para ir trabalhar no hotel que era bem longe de casa e a Elisa tinha decidido que não seria mais a minha tradutora, pois se continuasse, eu não aprenderia a falar. Como apanhei para fazer o seguro do carro, mas fiz!

Bom, eu sabia por que Deus tinha me mandado para a Austrália, mas  não tinha contado a ninguém! E já estava cansada de esperar quando perguntei a Ele: Cadê o eu marido? E em uma semana, Deus me respondeu. Meu marido estudava na mesma escola que eu e era de São Paulo! Affff! Tive que viajar toda essa distância para encontrá-lo do outro lado do mundo! Ah, ele também tinha pedido para Deus uma esposa! Depois de 8 meses casamos no Brasil e voltamos para a Austrália.

Mais uma época difícil: tínhamos que trabalhar muito para cumprir os altos custos de nossos cursos. Novos problemas de saúde surgiram, já que meu corpo reage assim ao estresse. Estava zicada, estudando muito e com três empregos. Um deles numa creche. Dois dias na creche foram suficientes para eu desistir e voltar ao Brasil. Vendemos tudo e voltamos! Voltei a trabalhar como fonoaudióloga e foi dando tudo certo. Minha filha nasceu e eu abri minha clínica para  exames de audição e processamento auditivo. Na época, recebi muitas propostas de trabalho, mas nada me tirava do coração a vontade de voltar para a Austrália. Eu sentia que tinha alguma coisa que ainda precisava completar lá.

 Meu marido estava em um emprego estável na Telefônica e eu precisava convencê-lo a voltar. Um dia, ele me sugeriu tentar uma bolsa no projeto “Ciência sem Fronteiras”. Consegui a bolsa (com PhD e tudo), com muito esforço, aconselhamento da minha amiga Dida, apoio do marido, muita perseverança e fé em Deus.

De novo, em 2014, vendemos tudo e voltamos à Austrália que estava muito diferente de quando saímos de lá. Muito mais exigente e atravessando uma grande crise financeira, pela “quebra” das minas de minério de ferro. Mas, Deus cuidou de nós o tempo todo!

Todos estes anos têm sido muito bons, apesar do estresse por conta do PhD. Durante o doutorado, eu comecei a atender pacientes para a coleta de dados e foi muito difícil enfrentar o medo do julgamento.  Trabalho com tanto amor para essas pessoas e está tudo indo muito bem!

Viajei para o Brasil no ano passado para me apresentar em uma conferência em Gramado.  Depois de tudo feito, na hora de voltar, descobri que somatizei de novo! Agora, o problema foi no pulmão. Eu nem poderia ter vindo ao Brasil. Deus me protegeu mais uma vez e me segurou por um tempo por aí. Fiz o tratamento necessário, nada grave foi detectado na cirurgia e eu fiquei um tempo com meus pais que são meus amores e anjos em minha vida.  Minha filha e eu voltamos para casa! Maridão feliz! E eu também muito grata por tudo que meus pais fizeram e fazem por mim. Já adulta cuidaram de mim como se eu fosse criança.

O estresse não passou completamente, mas Deus me ensinou que Ele está no controle e não eu! Estou no meu último ano de doutorado e ainda tenho muito a escrever para entregar minha tese.  Apresentei os resultados de minha pesquisa em um congresso em Sydney e deu tudo certo. Falando em Inglês para um auditório enorme!  Nunca desisti de nada do que me propus a fazer, por mais difícil que possa ser! Tenho agora somente três meses para terminar minha tese e muitos não acreditam em mim, mas sei que não estou sozinha e que a força de Deus está em mim e posso fazer qualquer coisa! Vou conseguir terminar a tempo, apesar do atraso que tive pelo período em que fiquei doente.

Sonhos? Todos nós temos sonhos e sempre mais sonhos! O meu maior sonho já está realizado. Ter uma família linda, feliz e sentir amor e compaixão por todos, Isto nos fortalece e nos faz pessoas melhores e mais fortes. Meu maior sonho não é deste e nem para este mundo.  Aprendi que nada pode nos afetar se soubermos abstrair o que vem de ruim para nós e que não controlamos nada. Nem a nossa própria vida. Deus me provou muito mais do que contei! Ele existe e cuida de mim, assim como cuida de cada um de vocês, mesmo que vocês não percebam. Ele só quer que amemos o nosso próximo e tenhamos um coração bom e tudo o que pedirmos em nome de Jesus, Ele nos dará! E dará mesmo! Tenham coragem, enfrentem seus desafios e acreditem acima de tudo que vão conseguir, porque não estão sozinhos!

Um beijo no coração de cada um e que Deus os abençoe muito mais.

 

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