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Psicanálise
Marilete Vieira Zampar

A Cultura do Imediatismo

A autora possui Formação e Pós-Graduação: Letras - FFCL R.P., Psicanálise – UNIFRAN, Psicopedagogia – UNISANTANA; Psicodrama Nos Distúrbios Psicossomáticos - EPP Doutorado - WDU; Pós-Graduação em Saúde Mental – FCM Unicamp;  Pós-Graduação em  Transtornos Alimentares – FCM Unicamp; Neurociência – UFMG;  Neuropsicopedagogia – UCAM. Contato: Praça Presidente Kennedy, 102 Guaxupé – MG - Telefone: (35) 3551-0692

​Vamos logo! Você está demorando muito! ​Mas e essa fila que não anda? O caixa é muito lerdo! ​Eu quero agora! Começo o tratamento hoje e amanhã já estarei bem? ​Nossa que tédio! Não tem nada para fazer sem internet! ​Já faz três segundos e o Google não entrou ainda! ​Eu quero comer agora, que demora deste garçom! ​Anda logo, sai da frente, que motorista sem noção, podia muito bem cortar esta fila de carros! ​Odeio esperar! Quantos amigos você tem no Face? Só? ​Já estou com dezesseis anos, terminei com o namorado e ninguém vai me querer, estou ficando velha!

​​Dentro de casa, na rua, no trabalho, nas compras, na diversão: Não importa, seja onde for, estamos vivendo a cultura do imediatismo!

​O imediatismo sempre existiu, mas se tornou mais intenso atualmente, numa época na qual temos acesso a uma enxurrada de informações em segundos. Com o avanço da tecnologia que otimiza o tempo demandado para a concretização de muitas tarefas e pesquisas, consegue-se realizar muito mais tarefas em tempo reduzido e assim acabamos agindo de forma imediatista.

​Com certeza existe um lado muito bom trazido pela tecnologia, mas o exagero pode ser desmedido e acarretar consequências não muito boas.

​Estamos desaprendendo a arte de realizar planos, que evidentemente inclui a idéia de saber esperar!

​O sentimento de imediatismo, de querer tudo para agora, faz que com deixemos  de alcançar metas mais audaciosas, pois precisamos ver os resultados já.

​Exigimos de nós e dos outros realizações a curto prazo, como por exemplo, seguir uma dieta por tempo adequado, aguentar a ansiedade sem o uso de álcool ou drogas, sem excesso de medicamentos, etc. Precisamos de um tempo maior para que mudanças físicas e mentais ou até mesmo intelectuais, aconteçam.

​É importante ter em mente que grandes conquistas exigem esforço, dedicação e paciência, não acontecem num piscar de olhos.

​As ações e pensamentos são regidos pela ansiedade. Queremos agora o que não temos e quando temos, já não basta. Vivendo assim um eterno descontentamento. Essa cultura nos faz esquecer ou não viver o presente, apaga o passado e bloqueia o futuro. O tempo deixa de ser linear.

​Quando se trata de redes sociais, aquele que envia uma mensagem quer a resposta imediatamente e o que recebe não consegue nem conversar com quem está próximo, pois se acha no dever de responder o mais rápido possível, porque muitas outras mensagens já chegaram e não quer perder nada!

​O caos está instalado! As crianças, por exemplo, além de sofrerem a influência dos adultos, reproduzindo seus comportamentos, são expostas cada vez mais precocemente aos estímulos da tecnologia digital. Já ouvi adultos dizendo que os tempos são mudados e precisamos seguir em frente, aceitando as transformações. Acredito em parte nessa afirmativa, mas vamos à realidade dos fatos: todo exagero será prejudicial mais cedo ou mais tarde. Precisamos educar nossas crianças para que aprendam a esperar e aceitar as frustrações do não imediatismo. Para isso os pais precisam se educar primeiro! A criança poderá desenvolver dificuldade de aprendizado pela dispersão e falta de foco, a cognição será afetada, com certeza.

​Aprender a educar nossas emoções e ensinar nossos filhos a fazerem o mesmo será essencial para criar a consciência de que o imediatismo apenas nos afasta do presente. Vamos buscar uma nova forma de perceber a vida e os outros ao nosso redor!

​Um grande abraço!

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