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Psicologia
Marcia Nehemy

MANIA DE CULPAR

OS OUTROS

A tentativa de encontrar um bode expiatório para tudo é uma prática que acompanha a humanidade há milhares de anos - e os estudiosos dizem que podemos nos livrar dela.

 “Nada paralisou mais a inteligência do que a busca por bodes expiatórios “, escreveu o historiador Britânico Theodore Zeldim no livro, UMA HISTÓRIA ÍNTIMA DA HUMANIDADE, desde 1994. Paralisou e continua a paralisar. À tentativa de jogar a culpa por uma situação indesejada - de desastres naturais e guerras, de crises econômicas e epidemias - nas costas de um único indivíduo ou grupo quase sempre inocente é uma prática tão disseminada, que alguns estudiosos a consideram essencial para entender a vida em sociedade. Se observamos à nossa volta, encontraremos muitos exemplos. Quando um adulto interrompe a briga de duas crianças, uma aponta o dedo inquisidor para outra: foi ela quem começou!

Na América Latina, a tradição populista não existiria sem a invenção de inimigos imaginários internos -  as oligarquias, os bancos, a imprensa,etc -  e internos - o FMI , os Estados Unidos, etc). Por exemplo, a ditadura cubana sustenta-se há mais de quatro décadas sobre a fantasia de que a miséria de sua população se deve ao embargo Americano à Ilha e não ao fracasso de seu sistema comunista.

 No livro SCARPEGOAT- A History of Blaming Other People - Bode Expiatório - Uma história da prática de culpar outras pessoas - publicado nos EUA e na Inglaterra, o autor Charlie Campbell, defende a tese de que cada ser humano tende a se considerar melhor do que realmente é e, por isso, tem dificuldade de admitir os próprios erros. “Adão culpou Eva, Eva culpou a serpente, e assim continuamos assiduamente desde então“, escreveu Campbell. Junte-se a isso a necessidade intrinsecamente humana de encontrar um sentido, uma ordem no caos do mundo e têm-se os elementos exatos para aceitarmos a primeira e a mais simples explicação que aparecer para os males a nos afligir. Desde muito cedo, provavelmente com o surgimento das primeiras crenças religiosas a humanidade desenvolveu rituais para transferir a culpa para pessoas, animais ou objetos como uma forma de purificação e recomeço. A expressão  “bode expiatório”  refere-se a uma passagem do Velho Testamento que descreve o sacrifício de dois ruminantes no dia da Expiação hebraico. O primeiro bode era sacrificado imediatamente em tributo a Deus, para pagar os pecados da comunidade. O segundo era enxotado da aldeia, carregando consigo, simbolicamente, a culpa de todos os moradores.

 Já as outras pessoas, que não conseguem o mesmo sucesso, tendem a colocar a culpa nos outros. A culpa costuma ser do governo, da empresa onde trabalham, dos pais, da família, dos amigos, dos inimigos, etc. Isto permite que criem diversas justificativas para a sua situação atual se colocando em uma posição de vítima. Por incrível que pareça ser vítima é mais agradável. Segundo o autor, enquanto as pessoas de mente rica se concentram em oportunidades, as de mente pobre se concentram em obstáculos.

 Para ele, as pessoas de mente rica admiram outras pessoas bem-sucedidas, enquanto que as de mente pobre se ressentem, as vezes até atacam e odeiam as pessoas ricas e bem-sucedidas. O Filósofo Jean-Paul Sartre defendia a ideia de que a responsabilidade que temos sobre nossas vidas é dolorosa. Esta responsabilidade é a causa das nossas angústia e são realmente vítimas e tem aquelas que fazem papel de vítima. São duas coisas bem diferentes. Assumir o papel de vítima dificulta muito o progresso pessoal e econômico das pessoas. Muitas vezes, a vitimização ocorre para chamar a atenção das outras pessoas, normalmente para amigos e parentes próximos. Existe uma confusão entre receber atenção das pessoas e receber amor das pessoas. São duas coisas diferentes. Com qual das duas você realmente se identifica? Nas razões mais banais às mais sofisticadas nossa tendência é explicar - o que NÃO JUSTIFICA - nossos erros!  “Me atrasei porque me minha mãe me pediu para...” - Eu não tenho culpa, a culpa é do fulano, do tráfico, do caminhão parado, do despertador... Enfim, o que menos temos o privilégio de ouvir, alguém honesto consigo mesmo, dizer: “ Eu sou absolutamente responsável pelo meu atraso, pelo meu esquecimento, por ter dado errado, pelo meu fracasso, por ter esquecido...etc e tal.  E, infelizmente, essa é a erva mais daninha nos relacionamentos justamente pela sucessivas reincidências de NUNCA SE RESPONSABILIZAR POR NADA o  que acaba nos cansando e nos desiludindo,  pois o que quer que eu diga, serei sempre o culpado, jamais o outro!”.

 

A AUTORA é  Psicóloga Clínica, com título de Especialista em: Psicologia Clínica Hospitalar, Psicoterapia Breve, Psicoterapia de Casal,  familiar e  em Sexualidade Humana. Contato:

Rua Antonio Lapa, 1217 - Telefone: (19)  99771-6063.

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