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“O silêncio me aborrece”, diz Roberto Carlos à Revista Mídia

Para celebrar os 60 anos de carreira, o rei Roberto Carlos reuniu imprensa, convidados e milhares de fãs para a 15ª edição do Projeto Emoções, chamado pelos fãs de “Cruzeiro do Rei Roberto Carlos”, que reuniu mais de 4,5 mil passageiros a bordo do Costa Favolosa - um navio de cruzeiro da classe Concordia em operação desde julho de 2011, construído pelo estaleiro Fincantieri, em Marghera, na Itália, que possui mais de 1,4 mil tripulantes.

A coletiva de imprensa aconteceu no Teatro Hortensia e, além dos jornalistas, foi aberta aos passageiros. A REVISTA MÍDIA esteve presente a convite do cantor. Roberto Carlos fez declarações sobre sua vida amorosa, sua carreira e até sobre o decreto que facilita a posse de armas de fogo assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Com bom humor, respostas rápidas e inteligentes, o cantor se mostrou a vontade diante dos jornalistas e, ao final, disparou: obrigado a todos pela presença, pelas perguntas e por terem sido suaves”.

Uma das primeiras perguntas foi sobre a liberação do porte de armas no Brasil. Roberto disse que seu pai tinha uma arma em casa, mas segura e distante dos filhos. “Desculpe se vou decepcionar alguns, mas vivemos numa guerra e nessa guerra um lado está armado e o outro desarmado. Cresci vendo o meu pai tendo uma arma em casa, numa gavetinha. Ele protegia nossa casa dessa forma. Logicamente para se ter uma arma os critérios são severos”, analisou.

A vida amorosa do rei sempre rende boas e bem humoradas perguntas. Sobre uma possível volta com a atriz Myrian Rios – com quem foi casado por 11 anos, ele disse:  “meu coração está aberto realmente! Mas não existe nada entre mim e a Myrian hoje em dia, com todo respeito. Foi bom enquanto durou”, disse. Em seguida foi perguntado se acessa as redes sociais para paquerar, em especial o Tinder. O cantor disse que sim, mas claro, com pseudônimo.  “Olha, sempre existem chances. Seja pelo Tinder, passando na rua, em um navio! Enfim, isso  é uma questão de afinidades, às vezes a gente olha alguém e se interessa. É uma coisa imprevisível”.

Neste ano, o projeto “Emoções em Alto Mar” comemorou 15 anos de atestado sucesso. Em todos os anos, lotação completa. Ao encerrar cada edição, já são comercializadas pelo menos 30% da cabines para a próxima temporada, segundo Dody Sirena, empresário do cantor, que participou da coletiva ao lado de Roberto.

“Tem sido maravilhoso! É um projeto que me dá muito prazer em fazer. Só tenho a agradecer ao público que me prestigia. Cerca de 30% das pessoas que estão aqui já vieram a outras edições”, disse Roberto Carlos.

Outra pergunta foi sobre o jeito simples de ser do cantor, apesar da grandiosidade de sua carreira. “Outros por muito menos, se deslumbram. Como você mantém a humildade?”, perguntou o jornalista. “Não faço nada. Sou simplesmente o que sou. Sou assim desse jeito”. Por outro lado, RC consegue manter sua vida privada distante dos holofotes. “Você não sabe o trabalho que dá manter minha vida privada assim. Acho que tenho conseguido. Minha vida privada é a que passa na minha casa”.

Outra pergunta foi sobre a cor da camisa que o cantor apareceu: rosa. “Estou querendo fugir do azul por causa do TOC. E uso rosa porque me garanto como homem”, disparou.

Roberto está preparando sua filmografia. A autora Glória Perez está afrente do projeto. O rei comentou sobre o filme de Erasmo Carlos. "Gostei muito (do filme). O Gabriel Leone mandou muito bem, o Chay também. O filme me emocionou também, me fez chorar e, só de lembrar, me dá vontade de chorar de novo”. Sobre a emoção de ir ao cinema, Roberto disse: “tive uma sensação maravilhosa de ir ao cinema. O filme mais recente que assisti ao cinema foi Titanic (risos). Fiquei maravilhado! Como é maravilhoso ver um filme no cinema! Fiquei animado em armar um esquema para ir ao cinema! E vou mais vezes. Tenho que combinar antes, entrar quando a luz do cinema já estiver apagada”.

A música, além de um dom nato do cantor, lhe proporcionou sucesso tanto pessoal como profissional. Ricardo Dias, editor desta REVISTA MÍDIA perguntou ao cantor  não sobre o que lhe mais agrada na música, mas justamente o contrário: o que lhe aborrece na música. Ele respondeu: “o silêncio. Quando não tem música. Isso me aborrece”. Mas brincou ao ouvir do jornalista dizer que infelizmente o Projeto Emoções jamais poderá vir a Minas Gerais - porque o Estado não tem mar. “Mas lá tem o Lago (de Furnas)!, disse em meio a sorrisos.

Roberto Carlos está se dedicando a sua turnê internacional por dois continentes: América do Norte e Europa. Somente no segundo semestre ele retoma os shows no País.

 

 

HÁ 53 ANOS CANTOR SE APRESENTAVA EM GUAXUPÉ

 

Com a divulgação da participação da Revista Mídia do Projeto Emoções em Alto Mar, houve muitos comentários de guaxupeanos que assistiram ao show do cantor em Guaxupé, na década de 60. Isso fez com muitos revivessem  “esse momento lindo” e também discussões sobre a veracidade do fato.

A reportagem da MÍDIA constatou que as o rei realmente esteve na cidade e encontrou um dos organizadores. O show aconteceu no dia 8 de fevereiro de 1966, quando ele se apresentou para um público de aproximadamente 1.200 pessoas e embalou aquela noite de terça-feira com sucessos como “Quero que vá tudo pro inferno” e “O Calhambeque”, no Cine São Carlos.

Quem relembra o fato histórico é um dos produtores do show, Felipe Ferreira de Lima, da Marko Publicidade e Propaganda. Segundo ele, a ideia veio com a explosão da Jovem Guarda. Felipe tinha somente 17 anos, uma banca de revistas e jamais tinha produzido show algum. O espetacular sucesso dos “Beatles” influenciou toda uma geração e, consequentemente, o movimento da Jovem Guarda ganhou força com o jovem cantor Roberto Carlos, com apenas 23 anos e seu programa “Jovens Tardes de Domingo”, transmitido pela TV Record.

Felipe lembra que em um dia chuvoso em Guaxupé não apareceu quase ninguém em sua banca, somente o “Arlindo Jornaleiro”, uma pessoa muito popular na cidade e que viajava muito nos trens para vender jornais. “Arlindo me disse que o Roberto Carlos estava em São José do Rio Pardo para fazer um show e que a fila era imensa na porta do cinema para assisti-lo. Eu já estava envolvido naquela febre da Jovem Guarda e comecei a sonhar com Roberto Carlos em Guaxupé - e também no dinheiro que eu poderia ganhar”, conta. Daí para frente, Felipe começou a procurar informações sobre como contratar o artista e já vislumbrava o dia do show. “Eu já me via anunciando ’o meu amigo Roberto Carlos’ ,  no palco do Cine São Carlos”.

Felipe conta que o mais difícil seria achar alguém que acreditasse nesta ideia e que o ajudasse, principalmente na parte financeira. “Eu não tinha dinheiro, mas tinha um ideal. Procurei um amigo meu chamado Laércio Banholi, mas estava no Paraná, na fazenda do pai. No dia seguinte, encontrei o Severo Silva e contei minha ideia. Ele topou e fomos imediatamente para São Paulo”.

A dupla partiu para o teatro da TV Record atrás do rei, acreditando que se falassem em nome do ator guaxupeano Sebastião Furlan – que trabalhava na emissora – conseguiriam acesso ao teatro. “Era nossa única referência para entrar no teatro e chegar até ao Roberto”, explica.

Eles não conseguiram falar com o cantor no teatro, mas descobriram o hotel em que ele estava hospedado naquele domingo: Lord Hotel, na Avenida São João. Com aproximadamente Cr$ 350 mil no bolso, a dupla não hesitou em ir até o hotel. Contando com muita sorte, encontraram Roberto Carlos no elevador e já começaram a negociar sua vinda à Guaxupé. “Ele desceu do elevador e pediu para a recepcionista do hotel Cr$ 300 mil – que segundo Felipe, era normal o cantor fazer vales no hotel – e ela só tinha Cr$ 50 mil. Nesta hora eu disse que tinha o valor e ele pegou. Emprestei o dinheiro e ele nos convidou para ir ao teatro. Seguimos juntamente com ele, iniciando a negociação para o show em Guaxupé, que foi concretizada com o empresário Geraldo Alves”, explica. Cada show custava Cr$ 1,2 milhão, mas se fechassem dois shows no mesmo dia, a cifra seria Cr$ 1,8 milhão. Felipe e Severo fecharam o negócio e agendaram um show em Guaxupé e outro em Mococa.

O SHOW

A notícia de que Roberto Carlos viria de fato à cidade levantou uma verdadeira polêmica. Seria mesmo verdade? Mas na noite de terça-feira, 8 de fevereiro de 1966, eis que chega em Guaxupé um carro Impala, ano 64, na cor azul: era o rei Roberto Carlos. O show começou às 19 horas e, às 21 horas, ele seguiu  para  Mococa. Muita gente acha que ele dormiu em Guaxupé, no extinto Hotel Cobra. Mas Não. Após o show na cidade, ele dirigiu-se para Mococa e de lá partiu para São Paulo.

“O cinema ficou lotado. Vendemos uns 800 ingressos numerados e mais uns 400 para o pessoal que queria ficar de pé. Foi um tumulto tanto aqui como em Mococa”, lembra Felipe.

O organizador disse que o evento  foi muito lucrativo e que conseguiu comprar um Fusca ano 1959.  Quando o show terminou, Roberto saiu dirigindo seu carro pela Avenida Conde Ribeiro do Valle e os fãs e gostaram tanto de vê-lo que começaram a correr atrás do carro avenida afora. Cena, inclusive, que o ator Marcos Frota recorda com clareza. “Eu era um menino e vi, na avenida de Guaxupé, o Roberto Carlos no seu carrão! Eu fui um dos que correu atrás do carro. Estive com ele na Globo e contei esse fato.  Rimos muito”, conta o ator.

A estrutura do show foi um caso à parte. Felipe Lima arrumou duas caixas de som, sendo uma de sua casa e a outra da festa da Igreja do Taboão. Roberto Carlos trouxe os instrumentos: ele tocou guitarra, além do baterista e do contrabaixista. Essa foi a estrutura do show.

Mas por alguns instantes a bilheteria do show foi perdida. Todo o dinheiro arrecadado com a venda dos ingressos foi colocado dentro de uma caixa de chuveiro. Quando acabou o show, Roberto e os produtores seguiram para Mococa. Em certo momento, o cantor pediu para que lhe comprasse um refrigerante.  “Depois de rodar uns 5 quilômetros, meu irmão Marcos, que havia descido para comprar a Coca-Cola para o Roberto, disse para voltarmos até ao bar sem dizer o motivo. Chegando lá ele perguntou ao balconista sobre uma caixa de chuveiro que havia deixado no balcão. O rapaz, com toda a atenção, disse que havia guardado e, em seguida, nos devolveu. Para nossa sorte o balconista não chegou a ver a quantidade de dinheiro que havia ali dentro! Ficamos uns 10 minutos sem o dinheiro do show!”, conta hoje aliviado.

Felipe Lima explica que até teve vontade de trazer novamente o cantor à cidade. Segundo ele, para que Roberto se apresente, deve-se ter um local com acomodação para, no mínimo,  4 mil pessoas sentadas, em local fechado, se possível com mesas. O cachê gira em torno de R$ 1,5 milhão.  “Um show com Roberto Carlos envolve mais de 150 pessoas pois trata-se de uma superprodução. É um show realmente caríssimo”.

Muita gente ainda relembra com saudosismo a vinda do artista à cidade, em uma época que marcou a musicalidade do País através das letras adocicadas das canções da Jovem Guarda que fazem todo mundo ter vontade de reviver aquelas  “jovens tardes de domingo”.

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